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Pedalar em Xangai: como funcionam as bicicletas compartilhadas e quando não pedalar

Xangai é plana, e pedalar quase não exige esforço; Xangai também é grande e engarrafada, e pedalar para chegar a algum lugar é quase sempre a escolha errada. Este guia trata do uso prático das bicicletas compartilhadas, das regras que os visitantes mais erram, do trecho que realmente vale a pena pedalar e do trecho que se deve dispensar.

Última atualização8 min de leitura

Xangai está na planície aluvial da foz do Yangtzé, e o centro urbano quase não tem ladeira; a mesma cidade tem uma dúzia de quilômetros de largura, com tráfego constante nas vias principais. A planície deixa você disposto a pedalar; a escala transforma o pedal numa questão de julgamento.

Duas faces da mesma cidade: plana e enorme

Uma é pedalar um trecho. Um ou dois quilômetros, largada e chegada nas mesmas quadras, com plátanos, muros, lojinhas e cruzamentos no meio; curto demais para valer esperar um transporte, detalhado demais para ir a pé. É o melhor uso da bicicleta aqui.

A outra é atravessar a cidade. De uma ponta à outra, onde o objetivo é chegar, não passar: cruzamentos demais, nada para olhar no caminho, e o metrô resolveria isso em vinte minutos. O teste é simples: se você topa levar o dobro do tempo só pelo trajeto, pedale; se quer que aquilo acabe logo, não pedale.

Como funcionam as bicicletas compartilhadas

As bicicletas sem estação, que você destrava com o celular, são o núcleo prático de pedalar em Xangai.

Há bicicleta em toda parte. Na saída do metrô, na porta dos prédios de escritório, na entrada dos condomínios, em fileiras; uma rua sem nenhuma é raridade.

O celular destrava. Escaneie o código no quadro com o aplicativo da operadora ou com o miniprograma de um aplicativo de pagamento. O primeiro uso exige cadastro e uma forma de pagamento que funcione, e algumas operadoras pedem verificação de identidade; as condições e o suporte a cartões estrangeiros variam de uma para outra, então confira no aplicativo antes de sair, não na calçada.

São baratas. A cobrança é por viagem ou por tempo, com passes diários e descontos. Valores não aparecem aqui, porque mudam; o aplicativo mostra as condições.

É obrigatório deixar em área designada. A parte mais mal compreendida: não existe estação fixa, mas também não vale em qualquer lugar. Estacione dentro das faixas demarcadas na beira da rua, ou onde o mapa do aplicativo permitir. Rua de pedestres, entrada de ponto turístico, a área logo em frente à boca do metrô e o interior dos condomínios costumam ser proibidos. Encerrar a viagem fora da área não fecha a viagem, a cobrança continua, e o aplicativo pede que você volte a um ponto permitido.

Bicicleta com defeito é comum. Freio frouxo, pneu murcho, corrente caída, selim torto, trava emperrada: tudo isso aparece. Por isso dar uma volta de inspeção antes de sair é procedimento normal, não desconfiança; se algo está claramente errado, pegue a próxima, e isso custa trinta segundos.

As regras que os visitantes mais erram

Bicicleta não anda na calçada. A calçada é dos pedestres; a bicicleta vai na ciclovia da pista. Descer e empurrar não conta como pedalar.

Mão única vale para bicicleta também. Se o carro não pode ir na contramão, você também não pode, faça o que fizer um morador.

A ciclovia existe em duas formas. Uma é pintada na pista, separada do tráfego por uma linha branca; a outra é separada fisicamente, por gradil, canteiro ou guia elevada. As duas servem para pedalar, e nenhuma delas autoriza entrar na pista dos carros.

Não pedale na contramão dentro da ciclovia. Nem por cinquenta metros, nem quando não vem nada.

Pare no vermelho. Onde houver semáforo para ciclistas, obedeça a ele. Em cruzamento grande, a conversão à esquerda costuma ser em duas etapas: siga reto até a área de espera do outro lado e atravesse na fase seguinte; não corte na diagonal.

Não se atravessa o rio de bicicleta. Túneis e pontes proíbem bicicletas, e a travessia cotidiana com bicicleta é a balsa, com a linha definida pelo aviso do cais no dia; o metrô também não aceita a bicicleta inteira, mas uma dobrável embalada é tratada como bagagem.

A fiscalização varia por região e por horário: cruzamentos grandes têm auxiliares de trânsito e voluntários, os pequenos são mais frouxos; mas a regra não muda porque ninguém está olhando, nem porque os moradores também fazem.

Onde a bicicleta vale a pena, e onde não vale

Deslocamento dentro do bairro. Da hospedagem ao metrô, do metrô ao restaurante, de um ponto turístico ao vizinho: cerca de um quilômetro, mais rápido do que esperar, e com a rua incluída.

As vielas da cidade antiga. Rua estreita, cheia de curvas, velocidade baixa: exatamente a escala da bicicleta.

As ruas de plátanos da região do Hengfu. Malha densa da antiga Concessão Francesa, copa encostando em copa, vários tipos de rua em dois quilômetros: o melhor pedal de Xangai, com o roteiro no percurso a pé pela Rua Wukang.

A borda de um parque. Pedalar ao longo do muro externo rende mais do que dar uma volta a pé lá dentro; a bicicleta em geral não entra no parque, e há onde deixá-la no portão.

No lugar de duas estações de metrô. Quando duas estações estão a um ou dois quilômetros, entrada, revista, espera e escadas somadas costumam pesar mais do que o pedal.

Trechos da orla do rio. Há ciclovias contínuas, separadas do calçadão; que trecho está aberto e qual está em obra muda, então olhe o mapa antes de sair, e veja o guia de parques e orla do rio.

Os casos contra são igualmente concretos.

Atravessar a cidade inteira. Dez quilômetros ou mais transformam a bicicleta de transporte em esforço físico.

Dia de chuva, tarde de pleno verão. A maior parte da chuva de Xangai é garoa, mas o piso molhado escorrega e a distância de frenagem aumenta; o auge do verão não é tanto calor quanto abafamento: dez minutos e você está suando, sem lugar para trocar de roupa.

Rua sem ciclovia. Vias principais, o vão sob os elevados, acessos de túnel: a bicicleta espremida num espaço estreito, ou nenhum espaço.

Onde você teria de estacionar mal. O Bund, a East Nanjing Road, as ruas ao redor do Jardim Yu, a porta da frente de um shopping: as vagas estão cheias ou ficam longe.

Bagagem, crianças, horário fixo para estar em algum lugar.

Segurança, e o que conferir, resolver e onde estacionar

O que exige atenção não são os carros, e sim as scooters elétricas: silenciosas, rápidas, numerosas, muitas vezes na contramão, na calçada, passando rente ao seu ombro e cruzando os cruzamentos sem olhar o semáforo; o carro ao menos faz barulho e, em geral, obedece ao sinal.

Cruzamentos. Um carro virando à direita corta a ciclovia, o conflito mais comum; olhe para a direita antes de arrancar no verde.

Portas. Um carro parado na beira abre a porta de repente; ao passar, deixe a distância de um braço.

Capacete. Quem pedala em bicicleta compartilhada em geral não usa, e os moradores também não: é hábito, não prova de segurança. Em via de tráfego intenso, ou com criança, vale levar o seu; a bicicleta compartilhada não tem capacete para emprestar.

Farol. A luz da bicicleta compartilhada pode estar queimada, ou acender só depois que você começa a pedalar. Pedalar à noite numa bicicleta sem luz é a parte realmente perigosa disso: você vê a rua, os outros não veem você.

Noite e chuva. Se puder não pedalar à noite, não pedale; na chuva, as linhas brancas, as faixas de pedestre e a película de água sobre as tampas de bueiro são as superfícies mais escorregadias, então reduza antes, sem frear de repente. Nada de fone de ouvido: num cruzamento, o som é informação.

Trinta segundos antes de sair: aperte os dois freios e veja se pegam e se voltam, essa checagem não pode ser pulada; aperte os pneus, um mole é furo; confira a altura do selim e a trava; veja se a corrente não pula; à noite, o farol; por último, o cesto e o código, e se estiver quebrado ou coberto, troque de bicicleta.

Se ela quebrar no meio do caminho, empurre até a calçada, encerre a viagem no aplicativo e reporte o defeito, depois pegue outra ou vá de metrô. Não deixe a bicicleta no meio da pista; e não tente voltar pedalando numa que perdeu o freio.

Onde não pode deixar: fora das faixas demarcadas, no piso tátil, na via de bombeiros, em frente à boca do metrô, na porta de uma loja, dentro de condomínio ou parque, em rua de pedestres. O critério prático: se alguém com carrinho de bebê ou cadeira de rodas tivesse de desviar da sua bicicleta, ali não é lugar de deixar.

O que acontece se você deixar mal: a viagem não fecha e a cobrança continua; algumas operadoras cobram taxa de remanejamento, com o valor explicado no aplicativo; a conta pode ser restringida; a bicicleta pode ser recolhida. Se não houver um ponto permitido à vista, consulte o mapa do aplicativo ou volte pedalando até a última faixa.

Para quem serve, um pedal que vale e um que se deve dispensar

Serve para quem está hospedado nos bairros dos plátanos, na cidade antiga ou perto da orla; para quem tem um intervalo no dia e quer ruas, não só pontos turísticos; para quem vai percorrer um ou dois quilômetros e não quer esperar.

Dispensa para quem fica dois dias com agenda cheia, para quem viaja com crianças ou pessoas mais velhas, ou para quem não se sente bem pedalando no trânsito.

O pedal que vale. Região do Hengfu: do cruzamento onde fica o Edifício Wukang, siga ao sul pela Rua Wukang até a altura da Rua Fuxing Oeste, depois a leste pela Rua Fuxing Central até terminar perto das Sinan Mansions. Dois ou três quilômetros de ruas pequenas e plátanos, cruzamentos frequentes mas velocidade baixa, e dá para parar a qualquer momento; o sentido é do cruzamento mais movimentado para as ruas tranquilas, e o fim devolve você ao metrô.

O pedal que se deve dispensar. Qualquer trecho acima de três quilômetros cujo objetivo seja economizar uma viagem de metrô, tipicamente da Praça do Povo ao Bund e de lá ao Lujiazui, ou do centro a Hongqiao. Parece atalho e acaba sendo via principal, fila de semáforos vermelhos e procura por lugar para estacionar.

Em uma frase. Em Xangai, a bicicleta é o seu par de pés, não um veículo.

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