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As livrarias e papelarias de Xangai: os lugares menos evidentes e os que melhor recompensam o tempo passado neles

Quem gosta de livros ou de papel se surpreende com Xangai: as livrarias se dividem por função, as papelarias valem mais a pena que a maioria das lembranças, e os quatro tesouros do estudo se encontram em loja comum. Este texto explica o que cada tipo de loja realmente vende, quais categorias um leitor sem chinês consegue mesmo comprar e como levar um selo e tinta para casa.

Última atualização9 min de leitura

Livrarias e papelarias são o tipo de lugar menos evidente de Xangai. Ninguém as coloca num roteiro e a informação turística quase não fala delas; no entanto, quem costuma frequentar livrarias e comprar papel e caneta em casa consegue perder aqui mais tempo do que na maioria das atrações. Há ainda duas utilidades práticas: servem para um dia de chuva e servem no primeiro dia após o desembarque, quando o fuso ainda não assentou. Tem assento, tem luz, e não é preciso reservar.

Por que isso merece um guia só para si

As livrarias de Xangai têm camadas: a livraria geral de vários andares, organizada por gênero; a loja independente pequena, com apenas algumas centenas de títulos; a livraria dentro de um museu de arte. Papelaria é mais direto: as papelarias chinesas têm bom custo-benefício, e uma loja comum vende ao mesmo tempo pincel, tinta, papel de arroz, selo e cadernos de papel moderno.

O visitante raramente é informado disso, porque a informação turística prefere atrações e restaurantes. Livraria não é atração, não gera ingresso e é difícil de fotografar de modo convincente. O resultado é que ela fica fora do roteiro — e é justamente o lugar mais adequado para um dia de chuva e para depois de um voo longo.

As livrarias, por função

A grande livraria geral de vários andares. Vários andares divididos por gênero: literatura, história, ciências sociais, estilo de vida, infantil, arte, material de estudo. Funciona como uma cidade do livro coberta: um gênero inteiro visto de uma vez, e também títulos que uma loja pequena não estocaria. O custo é a multidão e a seleção puxada para o mainstream, com best-sellers e material didático ocupando muito espaço. Se vale passar mais tempo depende de quão fina é a divisão das estantes.

A livraria independente e a loja de curadoria. Área pequena, poucos livros, mas cada um escolhido por alguém; o valor não está em ter tudo, e sim em alguém ter olhado por você. Muitas funcionam também como café e puxam a seleção para literatura, arte e publicação independente. Encontrar um livro que combine com você depende de quanto o seu interesse se sobrepõe ao do dono.

A livraria dentro de museu ou galeria. A seleção acompanha o acervo e a exposição em cartaz: catálogos temáticos, livros de artista, arquitetura e design, livros infantis. É a categoria mais subestimada da cidade: silenciosa, ligada ao que você acabou de ver, uma segunda passada pelo conteúdo.

Bancas de livros usados e de edições antigas. Sebos, bancas em mercados de usados e feiras temporárias vendem edições antigas, revistas velhas, mapas, cartões-postais e gibis. Bom para folhear, ruim para procurar algo específico; estado de conservação e autenticidade são você quem julga, e ali o preço ainda se negocia.

As seções de língua estrangeira e de livros de arte das grandes lojas. Uma livraria grande costuma reservar um andar ou um canto para títulos em língua estrangeira e outro bloco para arte e design; esses dois são o apoio real de quem não lê chinês. A seção de arte é sobretudo de livros de imagem, com barreira de idioma baixa; a de língua estrangeira é sobretudo de títulos em inglês, com variedade limitada.

A livraria onde dá para sentar e trabalhar. Uma parte das livrarias tem área de café, mesas compridas, tomada e rede, e na prática funciona como espaço silencioso de trabalho. Sentar com o notebook por duas horas é normal, e comprar uma bebida basta.

A parte sobre o idioma que precisa ficar clara

A grande maioria dos livros nas livrarias de Xangai é em chinês. A seção de língua estrangeira existe, mas costuma ser só um canto de um andar, ou duas estantes; a variedade de livros em inglês não é grande.

Por isso, para quem não lê chinês, metade do valor da livraria está nos livros e a outra metade no espaço e no design: como as estantes são construídas, como a luz cai, como as pessoas circulam, como um livro é exposto. Algumas das melhores livrarias de Xangai são elas mesmas projetos de design de interiores e valem uma volta, mesmo que você não compre nada.

As categorias em que dá para comprar de verdade são poucas:

  • Arte, design, fotografia, arquitetura. Livros de imagem e monografias são sobretudo imagem, com pouco texto, e funcionam só de folhear. É a compra mais segura de todas.
  • Livros ilustrados infantis. O nível gráfico dos livros infantis chineses não é baixo, o texto é curto e a imagem dá conta de entendê-lo.
  • A estante de romances traduzidos. Literatura mundial em tradução chinesa, muitas vezes com acabamento mais caprichado que a edição original em inglês.
  • Cartões-postais, cadernos, pôsteres e produtos de papelaria criativa. Não são livros, mas são o mesmo tipo de compra, e os mais fáceis de levar.

As demais categorias — romance chinês, história, ciências sociais —, a menos que você leia chinês, só viram peso na mala.

Papelaria: a metade que merece mais a recomendação

Livraria vale para olhar. Papelaria vale para comprar.

As papelarias chinesas têm bom custo-benefício: os mesmos cadernos, canetas e papéis costumam custar menos do que na maioria das cidades europeias e norte-americanas, e a qualidade não fica atrás. Uma boa papelaria é também loja de material de pintura e caligrafia: pincéis, tinta (líquida e em barra), papel de arroz e papel de treino, pedra de tinta, pedra de selo e ferramentas de gravação, pasta de selo, além de cadernos, fitas, canetas-tinteiro e tintas coloridas.

Um ponto merece uma linha própria: os quatro tesouros do estudo, isto é, pincel, tinta, papel e pedra de tinta, se compram em papelarias e lojas de material de caligrafia comuns, sem precisar ir a uma loja para turista. As lojas de artigos culturais em área turística também vendem, mas com preço mais alto, menos escolha e quase sempre em kits de presente. Quem realmente escreve e pinta vai à loja comum: escolhe o pincel por unidade, compra o papel por pacote e a tinta por barra.

Por categoria:

  • Pincéis. Classificados por elasticidade, comprimento e ponta. Na primeira vez não é preciso comprar caro; um pincel de cerda mista de faixa média resolve por um bom tempo.
  • Tinta. A tinta líquida vem em frasco, pronta para usar; a barra de tinta precisa ser moída, mas dura, viaja bem e serve de presente.
  • Papel. O papel de arroz se divide em cru e processado e é vendido por pacote; o papel de treino é barato e vem em quantidade. É o mais fácil de levar e o mais difícil de errar.
  • Pedra de selo. O preço varia por tipo de pedra, tamanho e qualidade; a pedra não custa muito, e a gravação é uma despesa à parte.
  • Gravação. Na loja ou perto dela costuma haver um mestre que grava na hora; é preciso esperar, não dá para apressar. Decida o conteúdo antes, escreva os caracteres com clareza e, de preferência, entregue num papel.
  • Papelaria moderna. Cadernos, planners, fitas, canetas-tinteiro e tintas coloridas: a metade mais fácil de carregar.

A loja de material artístico é o prolongamento dessa linha. Xangai tem lojas de material artístico de verdade, e não duas prateleiras anexadas a uma papelaria: tela, tintas, pincéis, ferramentas de gravura, papel para desenho, materiais de emolduramento. Mesmo quem não desenha vale entrar uma vez: ver as ferramentas em si e comprar uma ou duas coisas baratas que não ocupam espaço.

O que vale comprar e o que dá para levar

  • Papel. Um pacote inteiro pesa; um maço pequeno de papel de treino ou algumas folhas boas é o mais prático.
  • Cadernos. Costurados, brochura, de papel bom: leves, e não se amassam na bagagem.
  • Pincel e tinta. O pincel precisa de proteção na ponta, e a maioria vem com capa; a barra de tinta viaja muito melhor que a líquida.
  • Selo, e a gravação dele. Pequeno, leve, único — é a coisa que mais parece ter vindo de Xangai.
  • Cartões-postais e imagens antigas. Baratos, planos, não ocupam espaço.
  • Frasco de tinta é risco de bagagem. Vidro, líquido, fácil de vazar, sensível a pressão. Se for levar, embale em várias camadas, ponha na bagagem despachada e não deixe perto de roupa clara nem de livros. A maioria das pessoas acaba escolhendo a barra de tinta.

A parte prática, a alfândega, e quem deve deixar de fora

A livraria é um lugar legítimo para passar uma hora sem comprar nada. A maioria das grandes lojas não exige consumo, e sentar para ler é comportamento normal; as que têm café esperam que você compre uma bebida, e isso basta. Em algumas, o café rende uma tarde inteira sentado.

Uma sacola de livros pesa. No dia da compra, não programe caminhada longa: passe no hotel e deixe as compras primeiro, ou deixe a compra para o último dia. O horário de funcionamento varia de loja para loja e também muda, então confirme pelos canais da própria loja antes de sair; este texto não dá horários nem nomes de lojas.

Na alfândega, duas coisas. Qualquer objeto com lâmina, incluindo estiletes de gravação e ferramentas de entalhe, é problema de bagagem de mão e precisa ir na bagagem despachada. Pedra de selo, papel, madeira, bambu e flores secas são materiais vegetais e minerais que podem ser objeto de declaração ou inspeção; as regras dependem do país de destino, variam de país para país, e este texto não dá nenhuma quantidade nem limite — consulte antes de viajar a orientação oficial da alfândega ou do órgão agrícola do seu destino.

Para quem combina: quem gosta de livros, papel, escrita e desenho; quem está num dia de chuva sem ter para onde ir; quem quer comprar algo barato, leve e difícil de comprar em excesso; quem tem criança para procurar livros ilustrados.

Quem pode deixar de fora: quem tem roteiro cheio e só se desloca entre atrações; quem procura uma lembrança típica de Xangai, que esse tipo de loja não vende; quem espera uma grande livraria em inglês.

Por último, a parte decepcionante. A livraria bonita onde não há nada para comprar existe de verdade: o espaço foi resolvido, a luz é excelente, o café recebe mais cuidado que os livros, e a seleção é medíocre. A loja de artigos culturais de rua turística é o segundo tipo: o mesmo objeto aparece em todas as lojas, o preço é bem mais alto que na loja comum, e a embalagem vale mais que o conteúdo. O terceiro tipo é o que mais merece ser lembrado: o melhor papel costuma estar na loja mais sem graça, fachada comum, luz branca, mercadoria empilhada até o teto, um dono que não entende de design mas entende de papel.

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